ENXADA, P’RA QUE TE QUERO
Tenho uma enxada na mão
para a terra trabalhar…
Atirei-me para o chão,
e mandei-a, pois, cavar!
Deitado, pedi-lhe assim:
Ó enxada minha amiga,
trabalha lá para mim
e não sejas inimiga!?
A magana, nada disse.
E no chão, ficou prostrada!
Para mim é uma chatice
ter uma enxada parada.
Se não me apetecia,
sulcar a terra com ela,
tão pouco ela se mexia,
sem minha mão posta nela!
De joelhos, lhe supliquei,
p’ra que me desse atenção:
Fez-se surda, como a mãe,
e não se ergueu do chão!
Resolvi-me levantar.
E p’ra castigo lhe disse:
- tu não queres trabalhar,
então, vai haver chatice!
Nem gemido, dela ouvi.
Tão pouco ela se mexeu.
Se não trabalhas p’ra mim
quem te deixa aqui, sou eu!
Os calos da minha mão,
ficam desde já a saber:
Tu ficas ai no chão
até o sol corroer!
Enxada, p’ra que te quero
Sem minhas mãos nada és!?
Não trabalhas! És um mero,
pau sem cabeça e sem pés!
Joel lira
28.06.07

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