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As estrelas firmadas no céu

23/07/2007 GMT 1

DIGNIDADE

joellira @ 13:29

Coitado. Mais um dia sem trabalhar.
Mais um dia sem ter nada para comer.
E tanta coisa que ele tem para falar…
E não há ninguém que lhe possa valer!

Responde a anúncios de ocasião,
Bate a portas quase sempre bem fechadas.
Se nos seus sonhos já não mora a ilusão,
o passado, foi para ele conto de fadas!

Que esperança este Homem pode ter
se a leis são vagalhões ao desgoverno,
aumentado a enorme precariedade?!

Só lhe resta que venha alguém aqui dizer:
Quando deixares de viver neste inferno,
então sim: - Ganharás a tua dignidade!

Joellira
22.7.07

09/07/2007 GMT 1

NÃO SEI BEM AONDE ESTOU….

joellira @ 22:31

No meio da confusão,
não sei bem aonde estou?!
D’encontrão em encontrão,
ando sim, mas d’empurrão,
nem sei bem para onde vou?!...

Neste andar, sem me mexer,
mal respiro: Falta-me o ar!
Esta gente, não quer saber,
se o aperto faz doer
aos que não conseguem andar!

Comecei pois a gritar:
Deixem-me sair daqui!
Para trás eu quero voltar.
Por favor deixem passar.
Eu não quero morrer aqui!

Nunca me vi nestas fitas!
Um sapato já perdi!
Vou no ar, às cavalitas,
mais que muitos eremitas
esta gente eu nunca os vi!

Foi então que reparei
no portão todo dourado:
Quem lá vive, logo pensei,
mora o Cristo, nosso Rei,
e por isso tão desejado!

Fez-se silêncio, pois, então.
Só entra quem Eu mandar!
Disse a Voz à multidão.
Parem todos de empurrar,
deixem-se estar onde estão!

Por isso eu tinha entrado
Sem saber p’ra onde ia!?
Agora que estou parado,
já me sinto sossegado:
nem todos entram na via!

Está parada, a confusão.
Já sei bem aonde estou:
Quem peca não entra, não!
Qual seja o encontrão
É algo que eu não dou!

Joellira 9.7.07

04/07/2007 GMT 1

ENXADA, P’RA QUE TE QUERO

joellira @ 22:06

Tenho uma enxada na mão
para a terra trabalhar…
Atirei-me para o chão,
e mandei-a, pois, cavar!

Deitado, pedi-lhe assim:
Ó enxada minha amiga,
trabalha lá para mim
e não sejas inimiga!?

A magana, nada disse.
E no chão, ficou prostrada!
Para mim é uma chatice
ter uma enxada parada.

Se não me apetecia,
sulcar a terra com ela,
tão pouco ela se mexia,
sem minha mão posta nela!

De joelhos, lhe supliquei,
p’ra que me desse atenção:
Fez-se surda, como a mãe,
e não se ergueu do chão!

Resolvi-me levantar.
E p’ra castigo lhe disse:
- tu não queres trabalhar,
então, vai haver chatice!

Nem gemido, dela ouvi.
Tão pouco ela se mexeu.
Se não trabalhas p’ra mim
quem te deixa aqui, sou eu!

Os calos da minha mão,
ficam desde já a saber:
Tu ficas ai no chão
até o sol corroer!

Enxada, p’ra que te quero
Sem minhas mãos nada és!?
Não trabalhas! És um mero,
pau sem cabeça e sem pés!

Joel lira
28.06.07

18/04/2007 GMT 1

É preciso que se diga

joellira @ 15:46

É preciso que se diga
A um qualquer como eu:
Só se é poeta na vida
quem o dom Deus lhe deu!

O poeta dá mais verdade,
À verdade dos nossos dias!
Nele há o pão, a vontade,
De dizer Não às noites frias!

Quando morre um Poeta,
com ele, vai o seu sonhar!
E, na sua biblioteca,
fica um livro por acabar!

Joel Lira – Amora - Portugal

CANTINHO ALENTEJANO

joellira @ 15:45

No “Cantinho Alentejano”
tudo, nele, está patente!
Quem entra lá por engano
sai de lá feliz e, contente!

As “migas”, são excelentes!
E o resto é de bradar!
No serviço, são exigentes;
coisa rara de se encontrar!

Ao entrar, se presenteia,
uma amizade real!
Só o amigo, saboreia,
do melhor que há no Seixal!

Joel Lira - Amora - Portugal

Minha Amora amada

joellira @ 15:43

Obviamente, sou bairrista!
Sou da Amora, natural!
Para mim és a conquista,
Amora de Portugal!
És para mim e serás,
o meu berço encantado.
Mas, nunca mais voltarás,
à Amora do passado!
Tens contigo, novo rosto.
És inveja da multidão.
Se para uns és desgosto,
a outros, muitos, não. Não!
Quem te vê e quem te viu,
diz que tu estás mudada!
Que digam as águas do rio
desta minha Amora amada!

Joel Lira - amora - Portugal

O CORETO

joellira @ 15:41

Ainda que hoje se viva a ilusão,
da felicidade, por tanta gente vivida,
nas alegres tardes de amor e de Verão,
hoje, o maestro, olha para ti quase sem vida.

És a perola do meu sonho deste rosário,
onde os sons adormeciam o Rio Judeu!
E o hino que te escrevo tem por cenário
no lugar onde a lira nunca te esqueceu!

É presico que a batuta ressuscite!
Que o povo medite, desperte e acredite,
Escrevendo a partitura em soneto.

É que a lembrança ainda brilha, mora,
por quantos estão por cá na Amora
ao passarem pelas grades do coreto!

Joel Lira

O Som da Liberdade

joellira @ 15:40

Já estive ai sentado
Nesses lugares vermelhos
Falando do meu mundo
do mundo que também é vosso.

Falando dos Cravos, das Rosas,
das mágoas, dos sorrisos,
das fomes, das misérias.
Das torturas, das lérias.
Dos crentes e incisivos,
Das odes e das prosas.

Já estive ai sentado.
Senti perto de mim,
o esvoaçar de uma Gaivota perdida.
E os sons da trompetas e dos clarins
Vindos dos Céus,
Deram-me Paz, Amor e Pão
E tu, meu irmão,
Que bem me podias ter aberta a tua mão
Fizeste das tuas palavras silêncio.

Já estive aí sentado.

Continuem a viver a vossa verdade
Enquanto livres que são
Porque os poetas nunca se curvaram
Perante os que pretendem calar a voz do coração!

Continuem por ai sentados.

Joel Lira
18.02.06

Volta

joellira @ 14:07

Volta na volta, eu volto,
das voltas, qu’aí vou dando.
Na volta, vejo-me de volta.
E da volta, estou voltando!

O Mar

joellira @ 14:06

Por cada onda do Mar
há segredos infinitos!
Lá no fundo, quantos gritos,
ficaram por se escutar?

Em terra, negros xailes,
cobrem caras enrugadas,
ao verem ondas salgadas
nos ventos de tantos bailes!

Sonho no Mar que bombeia
na tragédia, entre a beleza,
e a mágoa dá tristeza
quando um corpo vem à areia!

Ó Mar, filho do Criador!
Em cada onda há um medo,
no espraiar, um segredo…
Como és belo, também és dor!

Joel Lira 7.6.2006

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