Enquanto houver fome de palavras sãs,
ternuras pendentes pelos galhos da vida,
olhares perdidos, desamparados com dor,
poderei eu alguma vez mais falar de amor?
Falar de amor...
Enquanto se ouvir mentiras, promessas vãs,
gestos impróprios de humanos desumanos,
paisagens sombrias, friorentas, sem côr,
como poderei eu escrever palavras de amor?
Falar de amor...
Enquanto sentir a traição dominar a malvadez,
a solidariedade morrer à nascença logo gritante,
por entre injúrias, perjúrios de um cancro, tumor,
será que ainda existe dentro de mim a palavra amor?
Falar de amor...
Falar de amor, seria melhor que este mau sabor
dos travos amargos que tenho-os comigo, vomitassem
para sempre aos falsos profetas todo o meu rancor
para que eu pudesse, finalmente, falar de amor!
Falar de amor...
Como falar de amor se há Crianças que morrem sem pão,
onde a água amarelada tão pouco lhes refresca o coração,
e o poder lhes rouba a ilusão, maltratando-as com furor,
claro que é difícil para mim falar de amor!
Falar de amor...
Há quanto tempo não ouço dizer frases amor,
mesmo ditas ao vento e que só o vento mas faz bailar?
Por isso se a mariposa perdeu a força, o jeito e o rigor,
eu nunca deixei de pensar como é bom falar de amor!
Falar de amor...
Não posso esquecer que foi por amor que eu nasci!
Que fui desejo muito querido de alguém que eu já perdi!
Não quero esquecer a forma e o jeito de conjugar este valor!
Como tudo é belo à nossa volta quando se fala de amor!
( prosa rimada,
livre )
12.04.09