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As estrelas firmadas no céu

27/04/2009 GMT 1

A ESCREVER...

joellira @ 11:16

Depois de começar a escrever, volto atrás.
Leio o que fiz. Li, reli e logo apago.
Não fiquei satisfeito. Não me satisfaz...
Onde está a alma por onde eu me alago?

Preciso de escrever. Sinto-o dentro de mim.
Não há fogo?! Só há gelo na alma arrefecida
da musa que anda por ai longe e tão perdida
na busca do seu sitio que não tenha fim?!

Mergulho continuamente no desconforto.
Pouco inspirado, mesmo assim volto a escrever,
dizer ao cais que é o abrigo do meu porto

que ainda ando por cá bem vivo e não morto!
E se nesta vontade houver força para valer,
eu vou continuar a escrever para depois ler!

26.04.09
11.16 hrs
156º soneto - ano 2009

24/04/2009 GMT 1

RIO DE ABRIL

joellira @ 23:04

Neste meu rio onde sempre brinquei contigo
flutua um cravo de Abril de cor avermelhado,
em ondas mil, neste Abril desacreditado,
que memorizo na alma que me deu abrigo!

Vai à tona da maré, no Judeu, a flor,
que fez memória e que ainda reza a história,
de quantos como eu lhe dedicam amor
na palavra liberdade que nos deu glória!

Desgastada lá vai ela deambulando,
ao encontro de uma mão que a apanhe
enquanto se vê por cá quem a desdenhe...

E se tu a apanhares, fá-lo cantando,
como o Zeca. Com ele estão cá mais de mil
a festejar neste nosso rio de Abril!

24.04.09
23.03 hrs
155º soneto - ano 2009

23/04/2009 GMT 1

CONTA COMIGO

joellira @ 13:40

Enquanto eu viver amigo, conta comigo.
Conta comigo que de mim terás a amizade,
sempre sincera, fraterna sem falsidade,
sem que te falte à mesa o meu pão de trigo!

Mas toma lá muita atenção ao que eu te digo:
Não venhas com subtilezas à minha porta!
Vem até mim, sim, e traz alguém contigo
que precise de viver! É o que mais importa!

Não peças o que eu não tenho para te dar!
Não me prometas que amanhã me irás pagar!
Sou teu amigo sim. Mas não para te esquecer.

O tempo bem pode mudar-te na ocasião...
E a amizade que te deu satisfação,
acredita, não deixa de permanecer!

23.04.09
13.35 hrs
154º soneto - ano 2009

SINAIS

joellira @ 10:04

Sei que se ouve
já à distância
o roncar do navio atracado ao cais!

Ronca fortemente,
balança na dança agitada das ondas,
enquanto Gaivotas desordenadas
sobrevoam pelo o espaço.

Comigo lá dentro
o meu olhar avista
lenços de amizade acenando no ar
e a alma se vai esvaziando em ais.

Sinto-me estático.
Imóvel.
Com uma rigidez atroz.

Sei que parto
sem teu afecto e sem voz...

Parto para um lugar
onde não haja idas nem chegadas,
inícios ou finais,
já que me perdi
da minha própria sombra.

De mim
ficam saudades
de tantos sinais!

Parto
para longe de ti.

Não me verás mais!

(12.11.08)

UM NATAL VIVIDO

joellira @ 09:50

Hoje estou como o tempo: Há um Sol sem cor.
Há um sentimento esquisito, sem igual...
Talvez pelos cheiros dos fritos, sem sabor
que pairam por aqui nesta quadra de Natal?!...

Eu me confesso: Há uma enorme tristeza
em todos estes momentos que não tenho calor
das palavras quentes, de tamanha destreza
vindas da enorme aflição deste meu amor!

Não sei do que é, mas sei que bem não estou!
Também estou como o tempo, o Sol se pirou
por entre amarguras das nuvens estivais

Penso na vida e, de tanto nela pensar
sou como o tempo: passa por mim sem voltar!
É o natal que se foi e não volta mais!

23.04.09
09.50 hrs
153º soneto - ano 2009

20/04/2009 GMT 1

ILUSÃO

joellira @ 17:00

Nunca escondi uma paixão com medo de a perder...
mas já perdi paixões que só eu pensava ter!
E quantas ilusões que por mim passaram
e quantas vozes me mentiram, não me amaram?

Quantas vezes fui enganado, mesmo iludido,
que agora seria mesmo para valer?
Quantas vezes ganhei sem nunca ter vencido
e quantas vitórias me fizeram perder?

Enganos destes, nem todos foram enganos...
Foram ventos passados, dádivas dos anos!
Recordo-os todos. Trago-os no coração.

Por ser transparente, sou pessoa sem medo...
E quanto ao que eu guardo para mim é segredo
mas não deixa de ser hoje outra ilusão!

20.04.09
17.01 hrs
152º soneto - ano 2009

19/04/2009 GMT 1

SONHO DE UM DESEJO!

joellira @ 12:46

No alto do Espichel vejo o horizonte.
Sinto a brisa do Mar sem ter-te nos meus braços.
Tento olhar o infinito que me consente
debruçar-me sobre as ondas em mil abraços.

Decifro a tua imagem entre os raios solares.
Fecho os olhos e entrego-me ao sal, recordando,
como se o sonho tivesse ido pelos os ares,
e neles me martirizo, me vejo divagando...

Medito quando me dirijo para ir meditar,
e nunca a tua companhia me fez dar,
um gesto, um afecto, palavras de alguém.

Nunca contei os passos para lá caminhados.
E no alto mantenho meus sonhos ancorados
que só nós sabemos quais são e mais ninguém!

19.04.09
12.46 hrs
151º soneto - ano 2009

18/04/2009 GMT 1

EM TERRA DE MILAGROSOS...

joellira @ 10:44

De facas afiadas, línguas depravadas,
conspirações palacianas, de sacanas,
eis as vozes vampiristas e conspurcadas
que só não nos chagam como nos chegam em ganas.

É um martírio ouvir de tantos milagrosos,
sabichões, intrujões, novos habilidosos,
que o mundo está doente, descontente...
Pois está! E que fazem eles concretamente?

Porque não se juntam as varinhas de mão,
que dizem ter e em magia dão solução
aos problemas que por cá estamos a viver?

É que quanto mais barafunda, mais confusão.
Sempre assim foi no que se aprendeu na lição:
É o povo quem decide como que fazer!

18.04.09
10.43 hrs
150º soneto - ano 2009

17/04/2009 GMT 1

ENVOLVE-TE!

joellira @ 21:37

Deixa-te envolver no aperto dos meus braços.
Sente o meu olhar terno dentro do teu fogo.
Deixa que eu sinta o sufoco dos teus abraços,
eu espero que aconteça. A ti te rogo!

Deixa-me saber que o tempo já não tem hora,
e que as horas param enquanto nos abraçamos!
E quanto tu sentires o que eu sinto agora,
verás o Sol nascer e mais que desejamos!

Entrega-te como eu me entrego em cada dia:
sorridente mesmo que suplicando eu faça.
É que a vida levada só terá mais graça

se cada sonho for real, logo aconteça,
que nos envolvemos e nada nos impeça,
então sim, entrega-me a tua alegria!

17.04.09
21.36 hrs
149º soneto - ano 209

DE OMBROS ENCOLHIDOS...

joellira @ 10:22

É isso. Hoje não me apetece escrever...
Estou mole. Desasado. Sem cor, destemperado,
incapaz de olhar o mundo, de me ver,
saturado do mesmo. Vejo-me cansado!

Não tenho vontade de fazer mesmo nada.
Há uma alegria pendente que não surge.
Espero-a e sinto-a adormecida, calada...
Talvez seja a inércia que me afecta, me urge?!

Não digo o que me vai na alma. Basta olhar.
Estou num estado sem estado. Só eu sei qual...
Vejo-me que estou nas tintas, me lixando!

Mas se te vir hoje irei escrever, voltar,
a falar de amor sem te dizer se bem ou mal?!
Não me vejo a escrever, tão pouco cantado...

17.04.09
10.21 hrs
148º soneto - ano 2009

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