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As estrelas firmadas no céu

07/09/2007 GMT 1

AVENIDA DA LIBERDADE

joellira @ 07:24

Antes eras passeio público da alta,
pela parte inferior, por muros e portões,
porque o Marquês não queria lá essa malta
de pé descalço e de vestidos sem botões…

Os Liberais, ao demolirem a vedação,
abriram este passeio para todo o povo.
Hoje a álea tem mais alma e coração,
e o poeta dá à guitarra um fado novo!

És a inveja de tantas, outras, na Cidade,
e as restantes mesmo a nível Mundial
sabem que és a mais bela de Portugal!

Acordas e adormeces na Liberdade
e em ti há sempre uma jovem Madragoa.
Que o digam, pois, as colinas de Lisboa!

Joellira
05.09.07
Bilhete postal

04/09/2007 GMT 1

RESTAURADORES

joellira @ 11:38

Foi em mil oitocentos e oitenta e seis,
que o obelisco, representando a vitória
sob o domínio espanhol, e suas leis,
que o povo o erigiu ditando história!

Por isso a Liberdade que está a norte
a olha com ternura e a admiração,
dos bravos que na vida deram morte,
nas batalhas da Guerra da Restauração!

Hoje o mimo ainda está na arquitectura,
relíquias ancestrais que os povos do Brasil
e de Portugal, fizeram por subscrever.

Lisboa, tem páginas soltas de bravura,
onde cada dia há uma flor de Abril
e uma voz que diz não até morrer!

Joellira
03.09.07
(bilhete postal)

01/09/2007 GMT 1

RUA AUGUSTA

joellira @ 13:04

Minha Augusta bela, continuas majestosa,
e ao Marquês agradeço a reconstrução.
Após o sismo, estás intacta, graciosa
e o Rossio te acolhe com mil rosas na mão!

Quem vem da Praça sente logo aquele cheiro
de café que estimula qualquer pessoa
e tudo que ali se vê é verdadeiro:
- Não há melhor na cidade de Lisboa!

Tens a Prata e a d’Ouro bem a teu lado,
e às sete namoradeiras dás cruzada.
Sou Cravo que de ti está enamorado

e para ti faço a letra deste meu fado!
Se és a rua para tantos a mais amada,
para mim, és de todas a mais desejada!

Joellira
31.08.07
(bilhete postal)

ROSSIO

joellira @ 13:03

Antes do sismo eras banhado pelo Tejo.
Depois, tudo se transformou e melhorou.
Hoje, desse passado que não me revejo
só a história narra o que por lá passou!

Largo bem popular atractivo a multidões:
Mil conversas entre o vender e o comprar,
o “Nicola” e a “Maria” nos seus serões,
vassalam o “Pedro” em pedra a comandar!

As fontes que te baptizam dão mais beleza
a esta raça, ditosa Pátria Portuguesa,
que em namoro não deixa de olhar o rio.

Por isso ao cantar o Largo do Rossio
vejo sempre uma Pomba que sobrevoa
os Céus lindos desta minha amante Lisboa!

Joellira
01.09.07

30/08/2007 GMT 1

TRAMADINHOS

joellira @ 16:03

Um dos grandes males destes nossos governantes
é venderem-nos Gato por Lebre na praça.
Depois, logo que perdem o charme ou a graça,
não gostam que lhe chamemos de arrogantes!

Há por cá quem lhes chamem de outra coisa.
E nomes, não lhes faltarão, obviamente.
Um dia se há-de ver por ai, certamente,
alguém pronto para partir toda a louça!

Há de tudo nesta Pátria de compadrios:
Mil corruptos, mentirosos e intrujões
ceiam Salmão no prato temos feijões,

bebem do melhor champanhe e bom vinho…
Mas um dia há-de vir por ai um Zé-povinho
com força para arremessá-los aos rios!

Joellira
30.08.07
(bilhete postal)

GRÉCIA

joellira @ 16:01

Custa-me saber que a Grécia está arder!
Vejo todo o seu passado a ser queimado.
E o momento que ninguém há-de esquecer
faz o mundo estar bastante preocupado!

Toda a Grécia vê-se grega, sem solução,
para pôr cobro à amargura e à tristeza
que afugenta esta antiga civilização
da nossa história e de inigualável beleza!

Roma, assistiu ao seu desmoronar,
com pilhagens e incêndios sem parar,
e a enferma desgraça anda hoje à solta!

Na Grécia, há mil e mil gregos desgraçados!
Os sossegos das famílias estão queimados;
Nem Zeus nem Afrodite estão cá de volta…

Joellira
28.8.07

21/08/2007 GMT 1

PRAÇA DO COMERCIO

joellira @ 21:19

Ministros, fidalgos, nobres e Zé povinhos,
viram fundar a equestre de Dom José,
na qual Machado cunhou com seus dedinhos
a estátua que ainda hoje está de pé!

Está patente aos mil olhares da história,
durante bi - secular conversa já passada,
permanece bem firme a sua alegoria
no cavalo que mantém a pata levantada!

O que el-rei nunca pensou, certamente,
é que a ignorância está balofa e tem semente,
volvidos após tantos anos da Nossa Graça.

Hoje, vê-se um “asno” que a mira e não sente
a alma do povo que a viu tão imponente
em local sem comércio na despida praça!

joellira
21.8.07

19/08/2007 GMT 1

NOSTALGIA

joellira @ 17:37

Quase sempre chegava em pé ligeiro,
ao caís de embarque para a nossa Lisboa,
e já no Tejo, apinhado no cacilheiro,
entregava o meu silêncio à Madragoa!

E quando às duas margens me entregava
ao Tejo dos sonhadores e prisioneiros,
o majestoso Cristo-Rei para trás ficava
de braços abertos a todos os passageiros!

E o carquejar das Gaivotas à chegada,
no Cais das Colunas se faziam ouvir
em frenesim em todas as horas do dia!

Hoje, eu deixo a aguarela aqui passada,
feliz, sempre com os meus lábios a sorrir,
aos que comigo comungam desta nostalgia!

Joellira
18.8.07

06/08/2007 GMT 1

A Deus me Confesso

joellira @ 07:03


05/08/2007 GMT 1

A MORTE

joellira @ 02:40

Todos temos uma companheira,
Que é muito traiçoeira,
Pois não deixa a vida passar…
É tão malvada e maligna
Que mesmo sendo pequenina,
Ninguém a consegue agarrar…

Todos temos uma companheira,
Em toda a nossa vida inteira
O seu nome, em todo o mundo, é Morte!
Todos lhe são indiferente…
Finge amar toda a gente…
Mas, a todos, dá a mesma triste sorte!

É odiada, pois ela não distingue ninguém
A todos nós oferece, hipocritamente, a cura,
Que nenhum remédio tem,
Dando fim a todo e qualquer mal…
A morte, finge ser uma bela figura,
Qual rainha, imponente, em seu pedestal!...

Sinto um desgosto infinito e profundo,
Da morte ser dona da vida do mundo…
Ó senhora cruel e ingrata,
Que mesmo não gostando de ninguém
Mata filhos, pai e mãe
Fiel cumpridora da hora exacta.

A morte, é uma forma invisível
E para todos os seres é terrível!
Seja mulher ou homem, rico ou pobre,
Criança ou velho, todos têm o mesmo fim!
A morte sempre cumpre a sua acção nobre…
Não tendo pena de ti, nem de mim!...

Aí morte! És filha do senhor das trevas.
Todos nós temos, de ti, mil queixas…
Os maus, que devias levar, não levas
Os bons, que devias aqui deixar, não deixas!

Pastora Lira (Anciã popular)

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