CAVANDO...
Passas o tempo a cavar a sepultura
que um dia alguém te há-de enterrar...
Para uns será o final da amargura
para outros, te hão-de sempre recordar.
Cá por mim, posso dizer à luz do dia,
foste alguém que deu vida em certa altura,
e se hoje eu penso em ti tudo me arrepia
até os ossos me estalam a amardura!
Não hás-de ficar cá a rir da tua graça,
que de graça nem a quero mais ver na praça,
onde meus olhos de ti não compram mais!
Foi chão que já deu uvas e foi mordaça,
na boca de quem te cobriu em desgraça
e tu hoje a vais cavando com risos e ais!
27.08.2009
15.04 hrs
178º soneto - ano 2009

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